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A informação detalhada: Vamos falar sobre Ética

Provavelmente já ouviste pessoas no teu círculo de amigos falar sobre ética do pronto-a-vestir, seja ela boa ou má, e sem dúvida que "sustentabilidade" faz agora parte do teu vocabulário da moda, mas já alguma vez te disseram tudo sobre a marca propriamente dita? Lê mais abaixo como Katharine Stewart, a nossa diretora de Comércio Ético e Sustentabilidade Ambiental, desmistifica a ética da Primark, explica o que realmente significa algodão sustentável e nos diz o que todos podemos fazer para sermos mais sustentáveis.

katharine stewart

Katharine Stewart tem um papel muito importante na Primark, e um cargo com um título igualmente impressionante a condizer. "O programa evoluiu com o tempo e a designação do meu cargo também, e é por isso que se tornou tão longo", ri-se Katharine. Levar a bom termo a planificação da ética e sustentabilidade não é tarefa fácil e Katharine dá-se bem com a responsabilidade adjacente ao seu papel, "Somos uma empresa global e com isso vem a responsabilidade. Para alguns isso pode ser bastante assustador, mas para mim significa que podemos fazer muito. Penso que todos sabemos que quando a Primark resolve fazer algo, pomos mãos à obra e fazêmo-lo mesmo."

Quando Katharine e eu nos encontrámos para conversar sobre ética, o que se tornou imediatamente claro foi o seu alargado conhecimento sobre o que é o comércio ético, a sua paixão pela Primark, onde trabalha há mais de 20 anos e a importância dos programas de algodão sustentável em que tem participado, "É a promoção de uma verdadeira mudança geracional. Algumas das mulheres agricultoras envolvidas no nosso programa de algodão sustentável desde o seu início em 2013 têm agora filhos a entrar na universidade, e isso não teria sido possível sem o rendimento adicional que obtiveram com este programa. Trata-se de dar possibilidade de escolha às pessoas e isso, para mim, é muito encorajador".

Depois de brilhar na equipa de compras da Primark e com uma carreira de já 11 anos, Katharine procurava um novo desafio e foi contactada pela Gap quando a marca estabelecia o seu escritório em Londres. Estávamos em 2006 e a Primark era ainda bastante provincial - para se ter uma ideia, estávamos prestes abrir a primeira loja em Oxford Street. "Comecei a trabalhar na Gap comprando acessórios, e rapidamente acabei a comprar também roupa masculina. Depois tornei-me vice-presidente, a comprar moda masculina, feminina e acessórios. Foi fantástico". Diz Katharine, com um sorriso, ao recordar a sua entrada para o mundo da moda. "Sempre quis trabalhar no design de moda, mas nunca fui suficientemente boa, o que compreendi rapidamente", explica Katharine. "Uma das pessoas que conheci num trabalho de sábado, e que viria a tornar-se designer, foi Jenny Packham e, depois de passarmos muito tempo juntas, percebi que não era tão boa como ela. Não segui esse caminho e, em vez disso, pus-me a estudar tecidos, economia e gestão na universidade".

A forma como Katharine recorda a sua carreira torna claro o amor que sente pela indústria da moda como um todo, e como as pessoas que encontrou pelo caminho a inspiraram ainda mais. "Na Gap, trabalhava com pessoas como Phoebe Philo, que na altura era consultora criativa, e passei muito tempo com ela, o que foi era realmente fascinante. Adorei".

Mas como se envolveu no mundo da ética? "Foi por acaso que me vi envolvida com a conformidade social. A Gap tinha a sua equipa de conformidade social, como lhe chamavam, com sede em São Francisco, e tinham uma pessoa na Europa, que me reportava as informações. Foi pois assim a minha iniciação no sentido de compreender os programas de conformidade social"

Dois anos mais tarde, a Primark decidiu formar a sua própria equipa interna para gerir programas de comércio ético e sabiam exatamente quem era a pessoa certa para o lugar: Katharine. "Penso que ninguém, mesmo hoje, imaginava a dimensão que o programa viria a alcançar. Penso que esse é um dos desafios, há sempre coisas novas a acontecer e nova investigação. Por exemplo, a Blue Planet dá grande destaque ao plástico e ao ambiente. Por isso, estamos em constante evolução", explica.

Um equívoco comum relativamente à Primark é que tem as suas próprias fábricas, mas Katharine explica que não é de todo assim: "O que sabemos das nossas auditorias às fábricas é que partilhamos 98% das fábricas dos nossos fornecedores com outras marcas de pronto-a-vestir, incluindo também alguns revendedores premium. Estive numa fábrica onde a nossa t-shirt de 4 euros é feita lado a lado com uma t-shirt de 60 euros. Juntamente com a produção das nossas peças há a produção de outros revendedores e o que é significativo é que partilhamos as mesmas fábricas, o mesmo ambiente, os mesmos salários e as mesmas condições de trabalho, mas o preço de venda é diferente.

Outro fator importante a referir é o facto de todas as fábricas terem de ser sujeitas a auditorias antes de começarem a trabalhar com a Primark, e nem todas são aprovadas. Quando a Primark aprova uma fábrica para produção e começa a abastecer-se, essa fábrica é alvo de auditoria pelo menos uma vez por ano e, em alguns casos, pode ser sujeita a mais controlos pontuais sem aviso prévio. "Se nos deparamos com um problema numa das fábricas dos nossos fornecedores, é absolutamente imperativo resolvê-lo e lidar com ele. Ter uma equipa no terreno com a dimensão e nível da nossa é a verdadeira força do nosso programa". Confirma Katharine.

Já deve ter visto os nossos recentes lançamentos de produtos em algodão sustentável na [ganga] (https://www.primark.com/en/campaigns/women/a-sustainable-choice/a/870f1bc3-651d-4e87-a59e-e56f2ab10f1b), [roupa de noite] (https://www.primark.com/en/campaigns/women/sustainable-slumberwear/a/11933627-cd55-478b-a86f-c34a50b67345) e [artigos para a casa] (https://www.primark.com/en/campaigns/homeware/sustainably-serene/a/d96093dd-00ba-4bb3-bc14-c6ca653659cf), mas quisemos que a Katharine explicasse o verdadeiro significado de "sustentável".

"Sustentável significa que, acima de tudo, estamos a minimizar o impacto ambiental no que diz respeito à forma como o algodão é cultivado em oposição ao algodão convencional.

"Em 2013, lançámos um programa que visava ensinar aos agricultores de algodão uma forma mais sustentável de cultivar o algodão, recorrendo a menos pesticidas, fertilizantes químicos e água e, em última análise, receberem eles próprios mais dinheiro. Este programa inclui ensinar os agricultores a plantar o algodão em filas com valas entre elas para que a água seja encaminhada diretamente para as raízes (em vez de inundar o campo). O programa também os informa sobre pesticidas e fertilizantes químicos. Mostramos-lhes formas de ação mais natural, como por exemplo usar o estrume pecuário, que pode servir tanto como fertilizante como pesticida. É fantástico!"

katharine stewart

"Antes do programa, muitas das agricultoras teriam alugado coisas como tratores e arados para a produção do algodão. Com o rendimento extra que obtiveram, muitas delas conseguiram agora comprar esse equipamento. Não só conseguiram mais rendimento do algodão, como utilizam agora o seu próprio equipamento, e também o alugam a outros agricultores, obtendo assim mais uma fonte de receita. É incrível, as nossas agricultoras construíram casas maiores, compraram motos aos maridos e adoram fazê-lo, o que é fantástico. Mas o mais importante é o investimento nos seus filhos em termos de educação, e esse é provavelmente o aspeto mais importante.

Alargámos o programa ao Paquistão no ano passado, cultivámos a primeira colheita no último ano, e este ano começamos também na China.

Com mais de dois milhões de visitas ao nosso website todas as semanas e um público de mais 10 milhões, sabemos_ que o nosso público "millennial" e geração Z é extremamente apaixonado pela sustentabilidade e pelas questões ambientais, por isso, o que está a Primark a fazer para se tornar mais transparente relativamente a quem são os nossos fornecedores e quais as fábricas onde produzimos? Katharine prossegue: "Os nossos produtos vêm de mais de 1000 fábricas em 29 países diferentes, mas a grande maioria vem da China, Paquistão, Índia e Bangladeche. Na verdade, publicámos no ano passado o nosso [mapa de fornecedores global] (https://globalsourcingmap.primark.com/en), que tem a localização detalhada das nossas fábricas de fornecedores, o que significou um grande passo em frente para nós".

Por isso a grande pergunta é...quais são os planos de sustentabilidade da Primark para o futuro?

"O programa de expansão do algodão é um programa muito importante para nós. Estamos a colocar um grande enfoque também na utilização de fábricas mais sustentáveis, seja em relação ao algodão ou ao poliéster reciclado, que verão nas nossas coleções no outono, e estamos ainda de olho noutras fábricas também. O nosso esquema de reciclagem representará também um grande passo em frente. Atualmente está apenas disponível na nossa loja de Birmingham, embora tenhamos uma grande implantação prevista para TODAS as lojas. Outro aspeto em que a equipa tem estado a trabalhar é o empacotamento, substituindo as embalagens de plástico por materiais reciclados".

Uau! Para uma marca com mais de 370 lojas em todo o mundo, já sabemos que a Primark não faz as coisas por metade, mas saber mais sobre os planos de ética e sustentabilidade vem reforçá-lo. Fica atento às novas coleções sustentáveis prestes a chegar às lojas.

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Jayne-Bibby-Autora
Jayne Bibby
Editora de estilo
12/09/2019